Estou na corda bamba e falta-me equilíbrio.
Há um padre rezando um samba,
Uma mulher dança o ludíbrio.
Ouço o vento regendo
O ranger de uma cadeira de balanço,
Tão velha quanto o ranço
Desses dias tão modernos.
Através da janela do meu quarto,
Vejo a pele enrugada dos sentimentos humanos
E os sonhos desesperados perambulando pelo jardim.
Por um instante, pensei ter ouvido um pássaro
Solfejando um poema de Bandeira
E, logo após, tossir alguns dias de sua vida bico afora.
Está chovendo agora,
E a chuva desce forte pelos córregos,
Alvitrando-nos que aqui nada se esquece,
Tudo vai embora.
Distancio-me da janela
E a sua superfície externa
Parece chorar a minha dor enclausurada.
Deito-me, mas não consigo dormir.
Quisera poder compartilhar
Do silêncio dos que dormem.
Autor: Tiago Oliveira de Sousa.
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