Beco das sombras. Bêbado bafejo.
Abafado, ouço,
No calabouço,
Um beijo asfixiado de desejo!
Calor resfolegado de dois corpos.
Mormaço e gula.
Carícia nula
Que imita o coito fétido dos porcos!
A pele tatuada pelas unhas!
Implora a alguém.
Mas há, porém,
Só a noite e eu: silentes testemunhas.
Profere e fere frases sufocadas!
No leito crasso,
O corpo lasso
Abarca o abraço e brutas estocadas!
Esgana o gozo! Lágrimas goteiam!
Há manchas roxas,
Sangue nas coxas.
Sêmens | intrometidos | que semeiam.
Talvez, um dia, o ódio se concentre
Apenas no ato.
Que o mal, de fato,
Se transforme em amor dentro do ventre!
Autor: Tiago Oliveira de Sousa.
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