À memória de Augusto dos Anjos.
Eu já nem sei o que há dentro de mim,
Talvez seja uma dor interminável,
Corroendo como um verme miserável,
Um corpo putrescivelmente ruim!
Eu queria arrancar pela garganta
Esse desejo tétrico de amor;
Esfacelar, com mãos de sacripanta,
Essa fábrica fúnebre de dor!
Só quando andamos dentre as nossas ruínas,
É que enxergamos, nas carnificinas,
A vida produzindo cicatrizes!
E, nos perdendo num palor de assomos,
Quando pensamos que felizes somos,
É quando nós mais somos infelizes!
Autor: Tiago Oliveira de Sousa.
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