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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Ruínas

À memória de Augusto dos Anjos.


Eu já nem sei o que há dentro de mim,

Talvez seja uma dor interminável,

Corroendo como um verme miserável,

Um corpo putrescivelmente ruim!


Eu queria arrancar pela garganta

Esse desejo tétrico de amor;

Esfacelar, com mãos de sacripanta,

Essa fábrica fúnebre de dor!


Só quando andamos dentre as nossas ruínas,

É que enxergamos, nas carnificinas,

A vida produzindo cicatrizes!


E, nos perdendo num palor de assomos,

Quando pensamos que felizes somos,

É quando nós mais somos infelizes!



Autor: Tiago Oliveira de Sousa.

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